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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

REAÇÕES DE HIPERSENSIBILIDADE E ALERGIA

Com a função de defender o hospedeiro, o sistema imunológico dispõe de moléculas e mecanismos efetores destruidores e potencialmente letais. Em sua maior parte, estes processos são bem controlados. Assim, uma resposta imunológica dirigida contra determinado patógeno resulta na depuração do microrganismo e resolução de qualquer processo inflamatório. Entretanto em algumas circunstâncias, não ocorre resolução, e observa-se a ocorrência de uma resposta imunológica exagerada ou persistente, provocando lesão tecidual.
Em outros casos, o estimulo desencadeante é uma molécula inócua, ignorada pelo sistema imunológico da maioria dos indivíduos, porém capaz de iniciar, em alguns, uma resposta imunológica que produz lesão tecidual e, até mesmo, a morte do hospedeiro. Estas reações exageradas e inapropriadas são descritas pelo termo reações de hipersensibilidade.



A PATOGENIA DA DOENÇA ALÉRGICA



A resposta alérgica possui diversos componentes: o alérgeno, o estado de reatividade do hospedeiro e as influências genéticas e ambientais. Nos últimos anos, se tornaram evidentes que as manifestações não dependem somente da desgranulação dos mastócitos e reação de hipersensibilidade imediata.
Os distúrbios alérgicos também se caracterizam por uma conseqüência que ocorre através de vários dias de exposição ao um mesmo fator alérgico. E estas reações imunológicas procedem no resultado indireto na desgranulação dos mastócitos possuindo implicações patogênicas e clínicas.



ALÉRGENO


A alergia significa reatividade alterada, é um termo utilizado com demasiada freqüência. A alergia pode ser definida como um estado de maior reatividade do sistema imunológico a substância estranhas. O uso do termo “alérgico” será restrito as reações iniciadas, quando a IgE ligada aos mastócitos interage com seu antígeno-alvo, conhecido como alérgeno. As doenças alérgicas que provocam maior morbidade e mortalidade são a asma, uma doença pulmonar crônica; a rinite alérgica (a rinite alérgica sazonal é a “febre de feno”); o eczema e a urticária (distúrbios cutâneos); e a anafilaxia generalizada.



O FATOR HEREDITARIEDADE


A tendência a reações alérgicas possui forte componente hereditário, tendo sido denominada atopia, mais facilmente definida pela presença de uma reação de hipersensibilidade do tipo 1contra um alérgeno, geralmente demonstrado no teste cutâneo de escarificação; tal estado potencialmente alérgico não precisa resultado em doença. Dois, um ou nenhum dos pais atópicos transmitem o caráter atópico a seus filhos com um risco de 75%%, 50% e 15%, respectivamente e 20% a 30% da população exibem atopia.
A natureza daquilo que é exatamente herdado pelos indivíduos atópicos e, por conseguinte, dos componentes que predispõem a alergia é complexa.



O FATOR AMBIENTAL


Os fatores ambientais desempenham claramente um papel. A prevalência da asma, do eczema e da rinite alérgica duplicou em crianças de 12 anos de idade numa comunidade do sul de Gales entre 1973 e 1988, sem qualquer alteração fundamental na constituição genética dos habitantes. A asma é mais comum na segunda geração de imigrantes das índias Ocidentais nascidos no Reino Unido em comparação com os pais criados no exterior, Conforme assinalado é possível que o ambiente comece a ter um efeito durante a vida fetal.
A alergia é uma doença suficientemente comum e emocional, para que, à medida que vão sendo propostos ou identificados mais fatores ambientes predisponentes, as famílias de alto risco passem a modificar seu comportamento. Por conseguinte, é importante que haja pesquisas contínuas, a fim de examinar tais associações.



TIPOS DE REAÇÕES ALÉRGICAS



Existem 4 tipos básicos de reações alérgicas ou mecanismos imunológicos causadores de hipersensibilidade e doença:



Tipo I ou anafilático

É uma reação mediada por substâncias, principalmente histamina, em células de mucosa respiratória, mucosa intestinal e da epiderme, em células do sangue (mastócitos ou basófilos). Outros mediadores são sintetizados à medida que a reação progride, aparecendo substâncias dotadas de alto poder inflamatório. A reação inicial caracteriza-se por edema, contração da musculatura lisa e inflamação. São bons exemplos disso a rinite alérgica, certos tipos de Asma Brônquica aguda, reações alérgicas de tipo imediato a drogas, etc.


Tipo II ou citotóxico

É uma reação que ocorre, por exemplo, em algumas doenças auto-imunes como a tireoidite, onde a pessoa forma anticorpos contra elementos (órgãos e tecidos) de si próprio.



Tipo III ou imunocomplexos

É uma reação que se caracteriza pela formações de complexos antígeno-anticorpo (imunocomplexos), os quais se depositam em tecidos ou caem na circulação. Os imunocomplexos atraem mediadores da inflamação, o que determina lesões localizadas em certos órgãos ou difusas, como é o caso da glomerulonefrite, artrite reumatóide, lupus, etc.


Tipo IV ou celular

É uma reação mediada por linfócitos e seus produtos, as linfocinas, liberadas diante do contato com o antígeno, cujo exemplo típico é a reação tuberculínica, encontrando-se este mecanismo também na rejeição a transplantes e nas chamadas dermatites de contato. Portanto, é a mais tardia delas.



ALERGIA CLÍNICA


Aproximadamente dois terços dos indivíduos atópicos, definidos pela obtenção de um resultado positivo no teste cutâneo com alérgenos, apresentam doença alérgicas clínica, cuja prevalência é de 15% a 20%. Ambos os sexos são igualmente afetadas. As reações alérgicas vão desde uma irritação mínima até uma condição potencialmente fatal. Em certas ocasiões, produzem morte, geralmente em decorrência da asma e, mais raramente, de picadas de vespas e abelhas, ou alergia alimentar. A doença alérgica é responsável por até um terço das ausências na escola devido à doença crônica, estimando-se que uma das doenças mais comuns, a asma, seja responsável pela morte de duas mil pessoas no Reino Unido anualmente, das quais 40 a 45 são crianças.



DIAGNÓSTICO


O diagnóstico de doença alérgica é estabelecido durante a anamnese, ocasião em que se torna possível efetuar uma boa estimativa sobre a natureza dos alérgenos. O momento da ocorrência pode estar relacionado com uma alergia sazonal ou exposição à poeira doméstica, ou histórico familiar, exposição a animais o fator desencadeante é desconhecido.
Geralmente, efetua-se um teste cutâneo contra um amplo painel de antígenos, com resultados quase sempre positivos. Em sertãs ocasiões, os testes cutâneos revelam sensibilização a alérgenos não reconhecidos pelo paciente, o que pode ajudar a evitá-los.



TRATAMENTO


O tratamento de primeira linha consiste evitar o alérgeno, sendo esta medida seguida do uso de fármacos. Em algumas doenças alérgenas, a opção final pode consistir em dessensibilização (também denominada hipossensibilização ou imunoterapia).
Medidas preventivas como armazenar e trocar roupas de cama para evitar ácaros, limpeza regular, evitar o contato com substâncias alérgicas ajudam a evitar crises alérgenas.





BIBLIOGRAFIA



PEAKMAN, Mark e VERGANI, Diego. Imunologia Básica e Clínica. Segunda Edição. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro,1999





Acadêmica: Karen Quevedo


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