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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

1. HEPATITES VIRAIS (A E B): DIAGNÓSTICO IMUNOLÓGICO E A RELAÇÃO DA IgM E IgG COM A PRESENÇA DA DOENÇA

1.1. A hepatite A

É uma infecção assintomática e clinicamente fulminante, causada por um vírus da família Hepatovvirus. A doença aguda pode perdurar até seis meses e, embora a doença não evolua para uma fase crônica, pode haver complicações provindas da hepatite A. Já houve caso descrito de uma forma colestática que podia perdurar mais de seis meses. Rash cutâneo incluindo urticária, crioglobulinemia, síndrome de Guillain-Barré, meningoencefalite, insuficiência renal, síndrome de Reye, hepatite auto-imune e complicações hematológicas e cardiovasculares associadas à infecção pelo HVA.
As hepatites fulminantes são comuns, associadas com quadro ictérico e deterioração da função hepática, inércia, encefalopatia e coma. As formas inaparentes ou anictéricas estão relacionadas à idade do paciente, sendo que, quanto mais idade maior será a chance de ocorrer agravamento da doença.
O período de incubação é de 15 a 50 dias seguido de fase pré-ictérica, que precede o aparecimento dos sintomas e a elevação das taxas de enzimas hepáticas. A sintomatologia é caracterizada por febre, náuseas, vômito e dor abdominal, cansaço, acompanhados dos sinais mais específicos como a icterícia, acolia fecal (fezes claras) e colúria (urina escura) provindo da excreção de pigmentos de bilirrubinas.


1.1.1. Diagnóstico laboratorial

O diagnóstico laboratorial utiliza-se da detecção dos marcadores sorológicos que acompanha o curso da doença pelo HAV.
·           Anti-HAV IgM: É um marcador de infecção aguda, aparecendo em torno de quatro semanas após a infecção. Mesmo período em que começam os sintomas e o aumento dos níveis máximos de ALT (alanina-ammino-transferase).
·           Anti-HAV IgG: É detectado logo após o IgM. O IgG é um anticorpo de longa duração e sua presença indica exposição prévia ao HAV e imunidade.
·           HVA-RNA: É um marcador de fase aguda da hepatite, aparecendo antes do anti-HAV IgM, que pode estar presente até duas semanas após o inicio dos sintomas, mas que nas formas reincidentes ou arrastadas podem durar até seis meses depois do surgimento dos sintomas.
Testes moleculares também podem ser feitos para que a doença seja diagnosticada precocemente, quando o anticorpo IgM anti-HAV ainda não pode ser detectados por testes sorológicos.

1.2. Hepatite B

É uma infecção no fígado causada pelo vírus HBV da família Hepadnaviridae , onde a maioria dos infectados não apresentam sintomatologia enquanto outra parte apresenta manifestação que variam de brando e transitório a grave e controlado. A taxa de sintomatologia dependerá da idade do infectado. A maioria dos pacientes adultos se recupera, porém, uma menor parte desenvolve uma forma fulminante que pode se desencadear em óbito ou em hepatite crônica com possibilidade de evoluir para cirrose e hepatocarcinoma.

1.2.1. Hepatite B aguda

O surgimento do quadro agudo acompanhado de icterícia é comum; na fase pré-icterícia a sintomatologia é febre, mal-estar, fadiga mialgia, anorexia, náuseas e vômito. A perda de peso e a dor no quadrante superior esquerdo associada à hepatomegalia. Já a fase ictérica há colúria e desenvolvimento de icterícia na pele, mucosas e esclerótida, que adquirem uma tonalidade amarela.
Os testes da função hepática são fundamentais para o diagnóstico clínico. Na fase aguda os níveis de alanina e de aspartato aminotransferase, que podem se elevar em até três vezes, sendo a primeira mais elevada do que a segunda. Além disso, surgem algumas alterações inespecíficas como elevação de bilirrubinas, fosfatase alcalina e uma pequena linfocitose.
O tempo delongado de protrombina vem de uma desestruturação da função hepática e predispor a um quadro de hepatite fulminante, que pode resultar em necrose maciça dos hepatócitos, rapidamente encefalopatia e falência múltipla de órgãos. Normalmente a IgM anti-HBc está presente, embora a HBsAg e a  HBeAg nem sempre podem ser detectadas.
Essa infecção aguda tem como resolução a presença de anticorpo antiviral e linfócitos T citotóxicos. Os indivíduos curados ainda apresentam níveis elevados de anticorpos anti-HBs, traços de HBV-DNA na circulação e periférica e no tecido hepático.

1.2.2. Hepatite B crônica

São considerados portadores crônicos os que mantêm algum nível de HBsAg por pelo menos seis meses. A sintomatologia é inespecífica, podendo ser uma pequena alteração na alanino transferase e apresentando marcadores sorológicos como o HBV-DNA e HBeAg/anti-HBe.
Há risco de desenvolvimento de câncer hepático por mecanismos que ainda não são bem conhecidos. Têm-se indícios de dois fatores contribuintes para a formação de um câncer: o vírus podem expressar proteínas com capacidade oncogênica, como a HBx, ou então uma capacidade de interação do DNA viral na célula hospedeira.

1.2.3. Diagnóstico laboratorial

Os testes bioquímicos de rotina para averiguar a função hepática (níveis séricos das aminotransferases — ALT/TGO e AST/TGP) não são específicos pára hepatites, mas indicam quadro agudo sintomático de hepatite viral.
Assim como em outras hepatites o testes sorológicos e moleculares são essenciais para diferenciar o agente etiológico e parta o acompanhamento da evolução do quadro.

1.2.3.1 Marcadores sorológicos pesquisados no diagnóstico da hepatite B aguda

·      HBsAg: é o primeiro marcador que aparece durante uma infecção por HBV. Na hepatite aguda ele declina a níveis indetectáveis.
·      Anti-HBc IgM: é o marcador de infecção recente, encontrado até seis meses após a infecção. No caso crônico, ele aparece enquanto houver replicação viral.
·      Anti HBc IgG: marcador de longa duração, presentes em infecções agudas e crônicas e significa contato prévio com o vírus.
·      HBeAg: é liberado no soro durante a replicação viral, indicando alta infecciosidade.
·      HBV-DNA: durante a fase de replicação seu nível está acima de 105 cópias/ml.
·      Anti-HBe: surge após o desaparecimento do HBeAg.
·      Anti-HBs: é o único que significa o ganho da imunidade ao HBV. Surge no soro após o desaparecimento do HBsAg, indicando a cura e a imunidade.

1.2.3.2. Marcadores sorológicos pesquisados no acompanhamento de pacientes com hepatite B crônica

·      HBsAg: Sua presença por mais de seis meses inca a hepatite crônica.
·      HBeAg: está presente enquanto ocorre a replicação viral.
·      Anti-HBe: em hepatites crônicas e assintomáticas a presença sugere a diminuição da replicação do vírus, tendo melhora bioquímica e histológica.
·      HBV-DNA Quantitativo: como o HBV-DNA pode ser detectado em qualquer fase da doença, então, para monitorar o tratamento é necessário quantificar.


BIBLIOGRAFIA
COURA, Dinâmica das Doenças Infecciosas e Parasitárias, 2º volume. Guanabara Koogan, 2005.


Acadêmica: Frantiesca Vargas
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