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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

OS FUNGOS

   Os fungos são seres aclorofilados e sem capacidade de produzir energia através da luz solar e do CO2. São heterótrofos quimiotróficos, sendo que, para sua sobrevivência, dependem de matéria orgânica pré formada. Possuem células eucarióticas, que podem ser haplóides, diplóides ou até mesmo poliplóides. Sua parede é rígida e quitinosa, composta por polímeros de açúcar, sem nenhum tipo de reserva de amido, mas podendo ter reservas de glicogênio.
   Alimentam-se por absorção e reproduzem-se de forma sexuada, assexuada e parassexuada. Os fungos que conhecidamente apresentam a fase sexuada e assexuada são chamados de perfeitos, já os que não têm fase sexuada conhecida são denominados imperfeitos.


MORFOLOGIA


   As colônias fúngicas podem ser leveduriformes ou filamentosas. As colônias leveduriformes são compostas por fungos unicelulares com capacidade de reprodutiva e vegetativa autônoma, apresentam um aspecto pastoso ou cremoso. As colônias filamentosas são compostas basicamente por hifas, formando um aspecto de algodão, aveludado ou pulverulento.
   Esse conjunto de hifas forma o micélio, que pode ser classificado como vegetativo (abaixo do substrato, tendo como função de absorção de nutrientes e sustentação), aéreo (acima do substrato) e, quando este se diferencia e passa a ter corpos de frutificação, micélio reprodutivo.


REPRODUÇÃO ASSEXUADA EM FUNGOS


   A principal forma de reprodução assexuada são os conídios, que são gerados a partir da célula conidiogênica. Elas, em geral, se localizam nas extremidades das fiálides, e essas, juntamente com o conidióforo, formam o corpo de frutificação. Essa estrutura é bastante importante na micologia médica, pois observando sua morfologia podemos identificar fungos patogênicos.
   Alguns fungos possuem o aparelho de frutificação piriforme, sendo uma forma de proteção aos conídios. Essas estruturas são chamadas de picnídios e aos seus conídios chamamos de pcniodioconídios.
   Outra forma de reprodução são as partes do micélio vegetativo que podem se desprender. Vendo que as células fúngicas são autônomas, podem se propagar. E esses pedaços de hifas, nós nomeamos de taloconídios. Eles podem se diferenciar em blastoconídios, artroconídios e clamidoconídios.
   Os blastoconídios são gêmulas ou brotos gerados a partir de uma célula primaria. Eles podem formar pseudo-hifas caso essas gêmulas não se desprendam. Artroconídios são formados através da fragmentação de hifas e formato retangular. Os clamidoconídios podem ser vistos como uma estrutura de resistência, já que possui paredes duplas e espessas. Entre elas situa-se o citoplasma, e dentro da estrutura são armazenados os conídios. Esses conídios serão liberados apenas quando as condições ambientais forem apropriadas.
   De uma forma mais resumida, podemos dizer que os fungos se reproduzem de maneira assexuada por três diferentes maneiras: divisão de células somáticas, fragmentação de artroconídios, gemulação e produção de conídios.


ILUSTRAÇÕES


1.Estrutura de um Picnídio
2. Estrutura de um Blastoconídio
3. Estrutura de um Clamidoconídio
4.Estruura de um Artroconídio



REPRODUÇÃO SEXUADA EM FUNGOS


   A reprodução sexuada nos fungos envolve a união de dois núcleos compatíveis. Segundo Alexpoulos (1962), o processo de reprodução sexual consiste de três fases diferentes. A primeira, denominada plasmogamia, é verificada pela união de dois protoplastos, ficando os núcleos de ambas as células juntos em uma só célula. Na segunda fase, há fusão de dois núcleos, a cariogamia, a qual ocorre logo após a plasmogamia nos fungos inferiores. Nos fungos superiores, a cariogamia é realizada apenas em determinado momento no seu ciclo de vida. Assim, a célula resultante após plasmogamia é binucleada, sendo conhecida como dicário ou dicariótica. Uma célula diplóide, com núcleo contendo 2n cromossomos (zigoto), resulta da fusão nuclear. Imediatamente ou mais tarde, ocorre meiose, que reduz o número de cromossomos a haplóide, constituindo, desse modo, a terceira fase do processo sexuado.
   Os órgãos sexuados são denominados gametângios, os quais podem formar gametas (células sexuais diferenciadas) ou simplesmente conter um ou mais núcleos, que irão funcionar como núcleos gaméticos. Os gametângios podem ser hetero ou isogametângios. Os heterogametângios e gametas são aqueles que se diferenciam morfologicamente entre si, enquanto os isogametângios são morfologicamente idênticos uns aos outros.
   Nos métodos mais comuns de reprodução sexuada estão incluídos: fusão parcial de dois planogametas, contato dos gametângios, fusão total dos gametângios espermatização e somatogamia. Em alguns fungos, fase sexual típica não se verifica, constatando-se apenas um mecanismo parassexual, descoberto por Pontecorvo em 1956.
   Alguns fungos possuem talos autoférteis, isto é, gametas positivos e negativos no mesmo talo (monóicos), denominados hemotálicos. Nossos fungos heterotálicos (dióicos), os zigosporos resultam da união de hifas diferentes.
   O problema de compatibilidade entre os fungos tem sido atribuído a fatores genéticos, diferenças fisiológicas e químicas, na composição entre gametas compatíveis, além de um sistema hormonal regulador.
   A reprodução sexuada se caracterizada pela fusão de núcleos compatíveis de células sexuais (gametas masculino e feminino) e órgãos sexuais. Os gametas masculinos são denominados anterozóides, e os órgãos que produzem são os anterídios, sendo o órgão feminino chamado de oogônio, e os gametas de oosferas.
   Os esporos sexuados internos são chamados ascosporos e se formam no interior de estruturas em forma de saco, chamadas ascos. Os ascos podendo ser simples, como em leveduras dos gêneros Saccharomyces e Hansenula, ou se distribuir em lóculos ou cavidades do micélio, dentro de um estroma, o ascostroma ou ainda estarem contidos em corpos de frutificação, os ascocarpos. Existem três tipos de corpos frutíferos sexuados (ascocarpos) bem conhecidos: cleistotécio, peritécio e apotécio.
   O cleistotécio é um ascocarpo de estrutura globosa, fechada, de parede formada por hifas muito unidas, com um número indeterminado de ascos, contendo cada um oito ascosporos.
  O peritécio é um ascocarpo de estrutura piriforme dentro da qual os ascos nascem de uma camada hemenical e se dispõem em paliçada.
  O apotécio é um ascocarpo aberto em forma de disco ou taça, séssil ou pedunculado, cujos ascos se desenvolvem sobre um himênio exposto.



ILUSTRAÇÃO


Estruturas de Ascorporos: Apotécio, Clastotécio, Peritécio





BIBLIOGRAFIA



LACAZ, C.S., ET AL. Tratado de Micologia Médica, 9ª Edição. São Paulo: Editora Sarvier, 2002.
MINAMI, P.S.; Micologia - métodos laboratoriais de diagnostico das micoses, 1ª Edição. São Paulo: Editora Manole, 2003


Acadêmicas:
Karen A.Quevedo
Frantiesca Vargas



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