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sábado, 19 de março de 2011

DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DAS CÉLULAS NA MEDULA ÓSSEA

As células precursoras estão distribuídas no interior da medula óssea, obedecendo a um arranjo mais ou menos definido ou preferencial.
As células CFU-S (pluripotente) tem localização preferencial junto ao tecido ósseo, na chamada região subendosteal das trabéculas ósseas do esterno ou osso ilíaco. Elas se tornam cada vez menos numerosas, à medida que aumenta a distância que as separa do osso.
Nas regiões centrais do espaço medular (região axial) predominam os precursores já mais diferenciados, as células comprometidas e as células maduras, que passam à circulação através dos vasos sinusóides venosos centrais.
Tal distribuição ocorre tanto com a linhagem granulocítica como com as células eritroblásticas. Assim, em relação a esta ultima, tem sido observado que as células menos diferenciadas, do tipo BFU-E, são mais numerosas junto ás trabéculas ósseas, enquanto as CFU-E predominam nas zonas mais centrais do espaço medular.
Além dessa localização preferencial subendosteal dos precursores imaturos, observou-se também que nas regiões que circundavam os vasos arteriais da medula óssea há maior concentração junto ao tecido ósseo, mas não parecem acumular-se nos espaços periarteriais.
Essa distribuição zonal dos precursores medulares reflete as diferenças que existem na estrutura anatômica ou microambiente do órgão.
O microambiente da medula óssea é formado pelas células estromais, representadas basicamente por células que derivam do mesênquima ou tecido conjuntivo frouxo, que forma o reticulado tridimensional onde se alojam as células hematopoéticas.
A composição ou integridade anatomofuncional desse microambiente é essencial para proliferação e diferenciação normal das células do sangue.
As células estromais têm a capacidade de regular o ritmo de diferenciação das células pluripotentes hematopoéticas, protegendo-as, por assim dizer, de uma proliferação exagerada ou anômala. Esse mecanismo regulador se processa numa relação direta de célula a célula e envolve a produção e a liberação, por parte das células estromais, de fatores estimuladores e inibidores da hemopoese (CSFs).
Portanto, os precursores medulares são estimulados (ou inibidos) não só pelas linfocinas produzidas por mononucleares do sangue, como também pelos CSFs secretados por células do estroma.
Há tendência para se admitir que ocorram diferenças entre essas células estromais quanto à função secretora de substâncias estimuladoras ou inibidoras da diferenciação das células pluripotentes. As células estromais das regiões mais centrais (axial) produziriam, de preferência, substâncias estimuladoras da diferenciação celular. As células localizadas na região subendosteal não produziriam estímulo diferenciador, permitindo então que as células pluripotentes permaneçam com sua capacidade de proliferar sempre com as mesmas características de pluripotencialidade e indiferenciação.
Agentes reconhecidamente tóxicos, como benzeno, o busulfan ou ciclofosfamida, provocam alterações da hemopoese por lesarem não só a célula pluripotente, mas também o microambiente medular.
A íntima relação entre precursores medulares e células estromais normais é, pois, condição essencial para a hemopoese normal.
Em certos estados patológicos, nos quais há alteração dessa anatomia normal, a proliferação/maturação das células sanguíneas se altera, podendo ser a causa de uma condição de pré-leucemia ou de leucemia.

BIBLIOGRAFIA

LORENZI, Therezinha F; Manual de Hematologia propedêutica e clínica. 4ª Edição. Pgs: 30 e 31. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro, 2006.
Acadêmica: Karen Quevedo
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