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quarta-feira, 23 de março de 2011

VIROLOGIA

Propriedades gerais dos vírus

Os vírus são os menores agentes infecciosos e contém apenas um tipo de ácido nucléico (RNA e DNA) como genoma, circundado por um envelope protéico que pode ser delimitado por uma membrana contendo lipídio. A unidade infecciosa completa é denominada virion. Os vírus são inertes no ambiente extracelular, replicam-se apenas em células vivas e são parasitos em nível genético. O ácido nucléico viral contém a informação necessária para programar a célula infectada do hospedeiro a sintetizar macromoléculas específicas do vírus necessárias à produção da progênie viral. Durante o ciclo de replicação, são produzidas numerosas cópias de ácido nucléico viral e proteínas do envelope. As proteínas do envelope organizam-se para formar o capsídio, que envolve e estabiliza o ácido nucléico viral, protegendo-o do ambiente extracelular, bem como facilitando a fixação e penetração do vírus ao entrar em contato com novas células suscetíveis. A infecção por vírus pode ter pouco ou nenhum efeito sobre a célula hospedeira, ou resultar em lesão ou morte celular.
O universo dos vírus apresenta grande diversidade. Os vírus variam enormemente na sua estrutura, organização e expressão do genoma, bem como as estratégias de replicação e transmissão. A variedade do hospedeiro para determinado vírus pode ser ampla ou extremamente limitada. Sabe-se eu os vírus infectam os microrganismos unicelulares, como micoplasmas, bactérias e algas, bem como todas as plantas e animais superiores.
Grande parte da informação sobre as relações entre vírus e hospedeiro foi obtida de estudos com bacteriófagos, isto é, vírus que atacam bactérias.


Origem Evolutiva dos vírus

Desconhece-se a origem dos vírus. Existem profundas diferenças entre os vírus de DNA, os de RNA e os que utilizam tanto o DNA quanto o RNA com material genético durante diferentes estágios de seu ciclo de vida. É possível que os diferentes tipos de agente tenham origens distintas. Duas teorias sobre a origem dos vírus podem ser resumidas da seguinte maneira:
(1) Os vírus podem ser derivados do DNA ou do RNA dos ácidos nucléicos de células hospedeiras que adquiriram a capacidade de replicação autônoma e evoluíram independentemente. Assemelham-se a genes adquiriram a capacidade de existir independentemente da célula. Algumas sequências virais estão relacionadas com porções de genes celulares que codificam domínios funcionais protéicos. É provável que pelo menos alguns vírus tenham evoluído dessa maneira.
(2) Os vírus podem constituir em formas degeneradas de parasitos intracelulares. Não há evidências de que os vírus tenham evoluído a partir de bactérias, embora exista probabilidade de que outros microrganismos intracelulares obrigatórios – como, por exemplo, riquétsias e clamídias - tenham deito isso. Todavia, os poxvírus são tão grandes e complexos que podem representar produtos evolutivos de algum ancestral celular.


Classificação dos vírus

Foram utilizadas as seguintes propriedades como base para a classificação dos vírus. A quantidade de informações disponíveis em cada categoria não é a mesma para todos os vírus. Os métodos empregados para caracterizar os vírus mudam rapidamente. Hoje, a determinação da sequência do genoma é frequentemente efetuada na identificação inicial do vírus, e as comparações com base de dados disponíveis evitam a necessidade de obter maior número de dados clássicos (por exemplo, densidade de flutuação do virion). Os dados relativos à sequência genômica constituem critérios taxonômicos avançados (por exemplo, ordem dos genes) e podem fornecer a base para a identificação de novas famílias de vírus.
(1) Morfologia do virion, incluindo o tamanho, a forma, o tipo de simetria, a presença ou ausência de peplômeros e presença ou ausência de membranas.
(2) Propriedades do genoma do vírus, incluindo tipo de ácido nucléico (DNA e RNA), tamanho do genoma em quilobases (Kb) ou pares de quilobases (kbp), número de fitas (simples ou duplo), linear ou circular, sentindo/ polaridade (positivo, negativo, com ambos os sentidos), segmentos (número e tamanho), sequência de nucleotídios, conteúdo de G + C, presença de características especiais.
(3) Propriedades físico-químicas do virion, incluindo a massa molecular, densidade de flutuação, estabilidade em pH, termoestabilidade e suscetibilidade e agentes físicos e químicos particularmente éter e detergentes.
(4) Propriedades das proteínas virais, incluindo o número, o tamanho e as atividades funcionais das proteínas estruturais e não estruturais, sequência de aminoácidos, modificações (glicosilação, fosforilação, miristilação) e atividades funcionais especiais (transcriptase reversa, neuraminidase, atividades de fusão).
(5) Organização e replicação do genoma, incluindo a ordem dos genes, número e posição das estruturas de leitura abertas, estratégia de replicação (padrões de transcrição, tradução) e locais celulares (acúmulo de proteínas, organização do virion, liberação do virion).
(6) Propriedades antigênicas.
(7) Propriedades biológicas, incluindo variedade de hospedeiros naturais, modo de transmissão, relação com vetores, patogenicidade, tropismos teciduais e patologia.

Modos de transmissão dos vírus

Os vírus podem ser transmitidos das seguintes maneiras:
  • Transmissão direta de uma pessoa para outra por contato; os principais meios de transmissão podem incluir os perdigotos ou aerossóis (influenza, sarampo, varíola); por via orofecal (enterovírus, rotavírus, hepatite A), por contato sexual (Hepatite B, herpes simples tipo 2, HIV), por contato mão-boca, mão-olhos ou boca-boca (herpes simples, rinovírus, vírus de Epstein-Barr), ou por sangue contaminado (Hepatite B, HIV);
  • Transmissão de um animal para outro, sendo o ser humano um hospedeiro acidental. A transmissão pode ocorrer através de mordida (raiva) ou perdigotos ou aerossóis de locais contaminados por roedores (arenavírus, antavírus);
  • Transmissão por um vetor artrópode (arbovírus, flavivírus e bunyavírus).

BIBLIOGRAFIA

BROOKS, Geo F. [et.al]; Microbiologia médica. 24ª Edição. Págs 367, 368 e 390. Editora Mc Graw Hill. Rio de Janeiro,2009.

Acadêmica: Karen Quevedo

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